Já faz uns dias que eu tenho sentido coisas diferentes, sensações estranhas que nuca tinha sentido antes, muito louco. Aos trinta e poucos anos venho percebendo que não tenho muita paciência para muitas coisas como, por exemplo, sair de uma festa para ir em outra. Lembro-me de quando tinha vinte e um anos. Além de não estar nem aí para os homens que ficava, trabalhava de manhã, saída do trabalho às 18h e ia direto pra faculdade. De lá, às vezes passava em casa, às vezes não, e lá ia eu para mais uma noite de baladas numa boate que eu amava: o Columbia. Tempos bons aqueles, quando dormia de três a quatro horas por noite e estava sempre linda e inteira no dia seguinte de trabalho. E sem tomar nenhuma droga. Hoje, quando dou uma esticadinha amanheço arrasada, mesmo tomando apenas uma taça de vinho.
A idade vem chegando e com ela a lei da gravidade que diminui, cada vez mais, a distância entre o bico do meu peito e meu umbigo. Bem que minha amiga disse que, aos quarenta, nada volta ao seu lugar, a não ser que você tenha cacife pra bancar umas plásticas. E mesmo assim, as coisas ainda tendem a cair. Vai ver por isso que da última vez que fui pra Grécia não tive coragem de fazer topless. Mas tudo bem, ainda não tenho quarenta, portanto, ainda dá temo de correr atrás dos cremes nacionais e importados para que me ajudem a segurar alguma coisa.
Mas a vida passa rápido – e como passa. Hoje, uma amiga me lembrou que sua filha já está com três anos. Imagina, três anos e nunca fui visitá-la. Essa cidade é cruel com a gente, nossa correria do dia a dia é muito cruel com todo mundo. Imagine que vou sair da zona Norte para visitar minha amiga na zona sul, pegar trânsito, correr o risco de ser assaltada na Giovanni Groncchi ou sei lá eu onde mais! Não, por favor, quero ficar em casa. Quanto mais velha a pessoa vai ficando, a “individua” fica com mais medo também.
Antes viajava todas as sextas de madrugada para ir pra praia. Hoje, pegar a Bandeirantes depois das seis da noite, nem pensar. Preciso estar acompanhada e olhe lá, tenho tanto medo dos outros motoristas... E de assalto. Quanto mais velho, mais o tempo passa e, consequentemente, mais insegurança temos nas ruas, pois existe mais gente passando fome e morando nas favelas que crescem cada vez mais nos arredores da cidade. Quanto mais o tempo passa, mais mata é destruída indiscriminadamente, mais dinheiro rola nos bolsos dos parlamentares, maior é a corrupção e maior a minha decepção com o que acontece na política do meu país.
Digo isso porque só agora sinto mesmo no bolso o quanto vai de dinheiro para imposto de renda e cpmf’s, ou melhor, só agora sinto mesmo o meu dinheiro indo parar na boca do ladrão (ou na cueca de um filho da puta?), ou até mesmo numa ponte que nem partiu, lembram daquela "tentativa" de ponte que não tem nem como subir e nem como descer dela? Tão chamando o povo de burro na cara dura. Pronto, toquei no assunto. Acho que tô ficando velha mesmo, porque política nunca foi meu assunto predileto e, se continuar, vamos acabar quebrando o maior pau. Adios muchachos, mas prefiro assistir Animal Planet e aprender mais um pouco como vivem os suricatos.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Enquanto isso...
Sexta-feira, sei lá que horas são exatamente, só me interessa minha taça de vinho tinto e a lingüiça de frango com batatas que meu marido colocou no forno alguns minutos atrás. E claro, esse jogo de rugby que está rolando na TV.
Primeiro, não sei na verdade quem está jogando, só sei que são dois times sul-australianos, o time de preto e o time azul e amarelo... E tem cada jogador... Aliás, já sei por que eu nunca assisti a um jogo de futebol no Brasil, os caras são muito feios, não dá vontade nenhuma de assistir a não ser, claro, quando rola Copa do Mundo, porque daí aparecem os ingleses, os italianos... Tudo de bom.
Ah, acabei de ver: St. Kilda X West Coast Eagles Bench, que é o time que está perdendo. Tá 21 a 6 pro adversário. Porra, propaganda de novo! Saquei... Quando rola um gol, até o povo voltar pro centro do campo, rola uma propaganda do patrocinador. Voltando ao jogo, ai, ai... O cara chutou e bateu a trave.
Mas que jogo é esse! Violento demais, não posso deixar meu filho jogar isso não. Os caras são sarados e usam óleos pelo corpo todo, isso só pros outros caras não conseguirem pega-los de jeito, porque é porrada atrás de porrada. Diria que é quase um jogo gay,talvez. Como jiu-jitsu,quer luta mais gay que essa? Dois homens ou duas mulheres se atracando pra imobilizar a outra no chão? Mas aqui é uma delicia, cinco homens correndo atrás de uma bola e se matando pra pegar essa bola – ou as bolas do adversário?
E o loirão chuta a bola pra ninguém, a galera vibra e não entendo o porquê. É muito homem em campo, não consegui contar ainda quantos jogadores rolam. Meu Deus, aqui pode tudo... Acabo de ver um reprise... Ai, ai, outra propaganda, ou seja, outro gol... Enfim, um reprise de uma falta feia, o adversário acaba de dar um empurrão no outro, pra quê? Pra pegar a bola. Ó lá, ó lá, ó lá! Um pega e um, dois, três quatro... E agora? O loirão número 12 é o mais bonito. 35 a 7 - os de preto continuam ganhando. Putz, quatro esperando a bola, que cai na mão de um, escorrega, quica na mão de um, na mão de outro, até que o outro cara sai correndo.
Na boa, não estou entendendo niente! Quer saber? Acabou o primeiro tempo. Vou comer a lingüiça do meu marido. Ops...
Primeiro, não sei na verdade quem está jogando, só sei que são dois times sul-australianos, o time de preto e o time azul e amarelo... E tem cada jogador... Aliás, já sei por que eu nunca assisti a um jogo de futebol no Brasil, os caras são muito feios, não dá vontade nenhuma de assistir a não ser, claro, quando rola Copa do Mundo, porque daí aparecem os ingleses, os italianos... Tudo de bom.
Ah, acabei de ver: St. Kilda X West Coast Eagles Bench, que é o time que está perdendo. Tá 21 a 6 pro adversário. Porra, propaganda de novo! Saquei... Quando rola um gol, até o povo voltar pro centro do campo, rola uma propaganda do patrocinador. Voltando ao jogo, ai, ai... O cara chutou e bateu a trave.
Mas que jogo é esse! Violento demais, não posso deixar meu filho jogar isso não. Os caras são sarados e usam óleos pelo corpo todo, isso só pros outros caras não conseguirem pega-los de jeito, porque é porrada atrás de porrada. Diria que é quase um jogo gay,talvez. Como jiu-jitsu,quer luta mais gay que essa? Dois homens ou duas mulheres se atracando pra imobilizar a outra no chão? Mas aqui é uma delicia, cinco homens correndo atrás de uma bola e se matando pra pegar essa bola – ou as bolas do adversário?
E o loirão chuta a bola pra ninguém, a galera vibra e não entendo o porquê. É muito homem em campo, não consegui contar ainda quantos jogadores rolam. Meu Deus, aqui pode tudo... Acabo de ver um reprise... Ai, ai, outra propaganda, ou seja, outro gol... Enfim, um reprise de uma falta feia, o adversário acaba de dar um empurrão no outro, pra quê? Pra pegar a bola. Ó lá, ó lá, ó lá! Um pega e um, dois, três quatro... E agora? O loirão número 12 é o mais bonito. 35 a 7 - os de preto continuam ganhando. Putz, quatro esperando a bola, que cai na mão de um, escorrega, quica na mão de um, na mão de outro, até que o outro cara sai correndo.
Na boa, não estou entendendo niente! Quer saber? Acabou o primeiro tempo. Vou comer a lingüiça do meu marido. Ops...
quarta-feira, 14 de março de 2007
O mundo animal em minha casa.
Tenho um pequeno cão que se chama Bob Brown. Uma pequena homenagem ao cantor de jazz ou blues, não me lembro no momento.
Nessa semana recebemos uma visita inesperada (por mim, que sou sua “mãe”), de uma cadelinha charmosa para tentar tirar sua virgindade. Quem armou tudo foi o meu pai, ou melhor, o avô dele. Já tivemos uma cadela que morreu virgem; acho que ele, meu pai, não queria o mesmo fim para Bob. E assim aconteceu, uma fêmea veio até minha casa com aquela cara que só um cocker tem, toda sem maldade para transar com o meu cachorro. O nome dela é Sacha.
De início já vi que Sacha era um pouco maior que Bob, mas não dei importância.
Bob ficou louco quando viu a pequena Sacha tranqüila, abanando aquele toquinho de rabo a toda hora pra quem se aproximasse dela. Ela era tão tranqüila que deixou Bob fazer de tudo com ela sem dar, sequer, uma rosnada. Lindo, pensei. Agora sim meu cachorro vira homem, mesmo que tardiamente, com seus seis anos de vida. Sacha tinha apenas um ano e já era a segunda vez que acasalaria com um macho.
Foram três dias de tentativas e Bob ficando cada vez mais louco. Um dia, cheguei até a pegá-lo em cima dela, mas percebi que havia algo de errado: ele não alcançava a "bonitinha" dela. Que droga, pensei de novo. Já me vi tendo que dar uma mãozinha. Quando tentei, sem sucesso, fazer alguma coisa, Sacha apenas se deitou no chão com as patinhas para cima e me vi tentada a ficar passando as mãos em sua barriguinha, uma forma carinhosa de retribuir aquela meiguice toda. Bob, no seu ímpeto e instinto animal, já correu e ficou, na minha frente, fazendo um rápido sexo oral na cadela. Vocês já viram isso? Eu vi e não pude fazer nada... Apenas parar de brincar com ela e sair de fininho.
O avô, numa tentativa quase que desesperada em ajudar seu neto, ligou para a veterinária que, infelizmente, confirmou o que eu já imaginava: vamos ter que ajudá-lo. E assim foi.
Após um dia de trabalho cansativo, chega meu macho, quer dizer, o meu namorado, que rapidamente é escalado para ajudar Bob. Posso dizer que foi um saco, porque tínhamos que deixar Sacha num local mais baixo que o Bob para, assim, conseguir cruzar com ela. E quem disse que o Bob vinha? Após algumas fracassadas tentativas, desistimos.
E em meio a tantos mijos e cocôs moles, quando acordei, Sacha já havia partido.
E assim foi, ou melhor, e assim não foi. Sacha foi embora e Bob continua virgem.
Nessa semana recebemos uma visita inesperada (por mim, que sou sua “mãe”), de uma cadelinha charmosa para tentar tirar sua virgindade. Quem armou tudo foi o meu pai, ou melhor, o avô dele. Já tivemos uma cadela que morreu virgem; acho que ele, meu pai, não queria o mesmo fim para Bob. E assim aconteceu, uma fêmea veio até minha casa com aquela cara que só um cocker tem, toda sem maldade para transar com o meu cachorro. O nome dela é Sacha.
De início já vi que Sacha era um pouco maior que Bob, mas não dei importância.
Bob ficou louco quando viu a pequena Sacha tranqüila, abanando aquele toquinho de rabo a toda hora pra quem se aproximasse dela. Ela era tão tranqüila que deixou Bob fazer de tudo com ela sem dar, sequer, uma rosnada. Lindo, pensei. Agora sim meu cachorro vira homem, mesmo que tardiamente, com seus seis anos de vida. Sacha tinha apenas um ano e já era a segunda vez que acasalaria com um macho.
Foram três dias de tentativas e Bob ficando cada vez mais louco. Um dia, cheguei até a pegá-lo em cima dela, mas percebi que havia algo de errado: ele não alcançava a "bonitinha" dela. Que droga, pensei de novo. Já me vi tendo que dar uma mãozinha. Quando tentei, sem sucesso, fazer alguma coisa, Sacha apenas se deitou no chão com as patinhas para cima e me vi tentada a ficar passando as mãos em sua barriguinha, uma forma carinhosa de retribuir aquela meiguice toda. Bob, no seu ímpeto e instinto animal, já correu e ficou, na minha frente, fazendo um rápido sexo oral na cadela. Vocês já viram isso? Eu vi e não pude fazer nada... Apenas parar de brincar com ela e sair de fininho.
O avô, numa tentativa quase que desesperada em ajudar seu neto, ligou para a veterinária que, infelizmente, confirmou o que eu já imaginava: vamos ter que ajudá-lo. E assim foi.
Após um dia de trabalho cansativo, chega meu macho, quer dizer, o meu namorado, que rapidamente é escalado para ajudar Bob. Posso dizer que foi um saco, porque tínhamos que deixar Sacha num local mais baixo que o Bob para, assim, conseguir cruzar com ela. E quem disse que o Bob vinha? Após algumas fracassadas tentativas, desistimos.
E em meio a tantos mijos e cocôs moles, quando acordei, Sacha já havia partido.
E assim foi, ou melhor, e assim não foi. Sacha foi embora e Bob continua virgem.
quinta-feira, 8 de março de 2007
Sem limites
Já fiz de tudo na vida (ou quase tudo). Acampamentos selvagens, vários dias de caminhadas na Chapada, picadas de cobras, aventuras num barco minúsculo pelo Pantanal para ver jacarés. Sem contar com viagens lá fora. Escaladas em vulcões (adormecidos ou não), travessias em desertos, pulgões em Londres, sessões terapêuticas, Ioga na Índia, caminhadas para Machu Pichu e por aí vai.
Já vi de tudo também. Gente sendo assassinada na minha frente, gente morrendo de fome, gente pedindo esmola, gente rica jogando garrafinha pet pela janela do carro de oitenta mil reais. Gente morrendo de sede, criança cheirando cola (em plena luz do dia!), malucos fazendo ultrapassagens perigosíssimas, olha lá aquele idiota! Pra onde ele vai com tanta pressa? Será que pegou a mulher com o melhor amigo?
Já corri na praia pelada, já fiz nudismo onde não devia (e fui presa por isso); já dei gorjeta pro policial que me parou na estrada, já molhei a mão de fiscais, já tive vinte e oito cachorros. Vi cenas bizarras, já transei com garotos de programa, com namorados de amigas e até putas, só pra sentir o prazer que os homens têm em possuir uma mulher. Aliás, foi por causa de uma aventura dessas que acabei largando meu melhor amigo e amante, marido e namorado, meu homem apaixonado. Troquei uma vida de quase vinte e dois anos com esse homem, por uma mulher que transamos apenas uma vez. Uma mulher maravilhosa, com quem vivi até pouco tempo atrás.
Vivemos mil histórias. A família levou um choque ao saber que havia me apaixonado por outra. Imaginem, minha filha virou lésbica! Mas não teve jeito, tiveram que se acostumar com a idéia, pois só ela eu enxergava na frente. Andava de mãos dadas e a beijava sem vergonha pelas ruas dessa cidade preconceituosa. E aquele que foi meu companheiro por quase vinte e dois anos, continuou sendo meu amigo. Ficou meio ressabiado com minha atitude, mas percebeu que nossas aventuras estavam ficando um pouco mais do que absurdas, mesmo após a chegada do terceiro filho. Fomos até nosso limite, um prazer sem-limites que um dia culminou com o inesperado. Ou não.
Infelizmente, após catorze anos de relacionamento cheios de aventuras e sexo com limites (imaginem se ela se apaixonasse por outra?), minha amada mulher foi embora, vítima de um câncer nos seios. Quando descobrimos já estava em metástase. Um câncer tão agressivo que a levou em menos de três meses.
Apesar da tristeza em perdê-la, meu melhor amigo, amante e namorado nunca me abandonou. Hoje, aos 62 anos, comemoro feliz meu aniversário com aquele que nunca deixei de amar, mesmo com as indas-e-vindas dessa vida louca e desse meu lado gay.
Já vi de tudo também. Gente sendo assassinada na minha frente, gente morrendo de fome, gente pedindo esmola, gente rica jogando garrafinha pet pela janela do carro de oitenta mil reais. Gente morrendo de sede, criança cheirando cola (em plena luz do dia!), malucos fazendo ultrapassagens perigosíssimas, olha lá aquele idiota! Pra onde ele vai com tanta pressa? Será que pegou a mulher com o melhor amigo?
Já corri na praia pelada, já fiz nudismo onde não devia (e fui presa por isso); já dei gorjeta pro policial que me parou na estrada, já molhei a mão de fiscais, já tive vinte e oito cachorros. Vi cenas bizarras, já transei com garotos de programa, com namorados de amigas e até putas, só pra sentir o prazer que os homens têm em possuir uma mulher. Aliás, foi por causa de uma aventura dessas que acabei largando meu melhor amigo e amante, marido e namorado, meu homem apaixonado. Troquei uma vida de quase vinte e dois anos com esse homem, por uma mulher que transamos apenas uma vez. Uma mulher maravilhosa, com quem vivi até pouco tempo atrás.
Vivemos mil histórias. A família levou um choque ao saber que havia me apaixonado por outra. Imaginem, minha filha virou lésbica! Mas não teve jeito, tiveram que se acostumar com a idéia, pois só ela eu enxergava na frente. Andava de mãos dadas e a beijava sem vergonha pelas ruas dessa cidade preconceituosa. E aquele que foi meu companheiro por quase vinte e dois anos, continuou sendo meu amigo. Ficou meio ressabiado com minha atitude, mas percebeu que nossas aventuras estavam ficando um pouco mais do que absurdas, mesmo após a chegada do terceiro filho. Fomos até nosso limite, um prazer sem-limites que um dia culminou com o inesperado. Ou não.
Infelizmente, após catorze anos de relacionamento cheios de aventuras e sexo com limites (imaginem se ela se apaixonasse por outra?), minha amada mulher foi embora, vítima de um câncer nos seios. Quando descobrimos já estava em metástase. Um câncer tão agressivo que a levou em menos de três meses.
Apesar da tristeza em perdê-la, meu melhor amigo, amante e namorado nunca me abandonou. Hoje, aos 62 anos, comemoro feliz meu aniversário com aquele que nunca deixei de amar, mesmo com as indas-e-vindas dessa vida louca e desse meu lado gay.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Por telefone...
Mulheres quando falam ao telefone é engraçado. A gente fala de vários assuntos e acaba se confundindo um pouco em outros. Nesse dia, o assunto era o casamento da Silvia, irmã de um antigo caso. Aqueles casos que marcam qualquer mulher mais sensível. Aliás, qual o caso que não deixa marcas! E tanta coisa tem acontecido nesses últimos dias... A descoberta de que você é uma idiota, por exemplo. Mulher é uma coisa. O coração sempre fala mais alto. A gente sempre se entrega com tudo. A gente sempre se dá mal. E nada melhor do que uma boa conversa por telefone com uma boa amiga:
- Daí ela me falou: você tem que dar pro Marcos pra resolver tua vida. Só assim você vai conseguir realmente se relacionar pra valer com outro homem. Pode uma coisa dessas? Minha própria tia-avó falando isso? Aliás, até o melhor amigo dele já me disse certa vez.
- Mas eu sempre te disse isso também, você que é amadora. Aliás, finalmente achei um garoto de programa bonito na Internet.
- Não acredito.
- É sério. O cara tem cabelo até os ombros, uma coisa-cavanhaque, tudo de bom! (...) E o outro não pára de me ligar.
- Também, o coitado deve pegar cada baranga que, quando viu você, uma moça fina de boa família, bonita, o cara pirou, não? Você vai ao casamento?
- Vou, só que acho que só vou pra festa. Você sabe, detesto ir a casamentos. Tô precisando comprar uma roupa. E, por falar em compras, comprei um vibrador, mas olha só, eu tinha pedido um de vinte por cinco e me mandaram um de dezoito por quatro e meio. Fiquei meio triste quando soube que não era do tamanho que eu queria, mas vou te falar! Não consegui brincar com ele até hoje. É grande pra cassete, hahaha.
- Eu tô precisando fazer umas comprinhas também. Aonde será que tem uma loja legal pra comprar?
- Na Ponto G.
- Não, sua louca, tô falando da roupa pro casamento da Sil!
- Fofa desculpa, mas é que a gente tava falando de vibradoressss... Por que você não vai com a mesma roupa do casamento da Márcia?
- É, pode ser. Ninguém conhecido vai estar lá.
- Fora que ele é maravilhoso. Será que convido o gatinho pra ir junto?
- Quem?
- O cubano de cavanhaque.
- E de onde surgiu esse cubano?
(...)
- Ah, por favor, não vai aparecer com um garoto de programa no casamento!
- Ué, o que é que tem?
- Me poupe. Pagar pra alguém te comer, só em fantasia. Fora isso, é coisa pra mulher e homem que não consegue catar ninguém! Além do mais você pode convidar quem você quiser, sem ser um prostituto!
- Prostituto?
Hummm... Mentes que brilham. No momento só estou pensando em bobagens.
- Daí ela me falou: você tem que dar pro Marcos pra resolver tua vida. Só assim você vai conseguir realmente se relacionar pra valer com outro homem. Pode uma coisa dessas? Minha própria tia-avó falando isso? Aliás, até o melhor amigo dele já me disse certa vez.
- Mas eu sempre te disse isso também, você que é amadora. Aliás, finalmente achei um garoto de programa bonito na Internet.
- Não acredito.
- É sério. O cara tem cabelo até os ombros, uma coisa-cavanhaque, tudo de bom! (...) E o outro não pára de me ligar.
- Também, o coitado deve pegar cada baranga que, quando viu você, uma moça fina de boa família, bonita, o cara pirou, não? Você vai ao casamento?
- Vou, só que acho que só vou pra festa. Você sabe, detesto ir a casamentos. Tô precisando comprar uma roupa. E, por falar em compras, comprei um vibrador, mas olha só, eu tinha pedido um de vinte por cinco e me mandaram um de dezoito por quatro e meio. Fiquei meio triste quando soube que não era do tamanho que eu queria, mas vou te falar! Não consegui brincar com ele até hoje. É grande pra cassete, hahaha.
- Eu tô precisando fazer umas comprinhas também. Aonde será que tem uma loja legal pra comprar?
- Na Ponto G.
- Não, sua louca, tô falando da roupa pro casamento da Sil!
- Fofa desculpa, mas é que a gente tava falando de vibradoressss... Por que você não vai com a mesma roupa do casamento da Márcia?
- É, pode ser. Ninguém conhecido vai estar lá.
- Fora que ele é maravilhoso. Será que convido o gatinho pra ir junto?
- Quem?
- O cubano de cavanhaque.
- E de onde surgiu esse cubano?
(...)
- Ah, por favor, não vai aparecer com um garoto de programa no casamento!
- Ué, o que é que tem?
- Me poupe. Pagar pra alguém te comer, só em fantasia. Fora isso, é coisa pra mulher e homem que não consegue catar ninguém! Além do mais você pode convidar quem você quiser, sem ser um prostituto!
- Prostituto?
Hummm... Mentes que brilham. No momento só estou pensando em bobagens.
terça-feira, 6 de março de 2007
Filhos do Além
Ela via espíritos. Devia ter uns 17 anos quando começou a ter contatos com eles.
A primeira vez foi um susto. Susto ao perceber que aquilo era um espírito e não uma pessoa. Pior ainda, quando viu que não sentira medo.
O tempo foi passando e ela se acostumando. Tentou de tudo, candomblé, umbanda, ileaxé, atotôbaluaiê. Nada resolveu. Aliás, nada fazia com que ela desenvolvesse, vamos dizer assim, esse dom mãe-alguma-coisa.
O tempo foi passando, vieram os filhos e com eles, uma curiosidade sem fim. O segundo, ou melhor, a segunda, cresceu seguindo os passos da tia que curtia Marilyn Manson, Sister’s of Mercy e Bauhaus. Loira, gótica, filha de uma mãe quase vidente, morria de medo dos amigos da mãe. O garoto mais velho, tão interessante quanto, resolveu dar o nome de Amigos do Além à sua banda de Heavy Metal. O que tudo isso tem a ver com heavy metal, não me perguntem.
Vira e mexe a mãe fala sozinha. São eles. Quando a filha vai ao banheiro de madrugada e ouve a mãe conversando, são eles.
No ensaio do mais velho, quando dá pau no amplificador da guitarra, são eles. Socorro...
Comentando com uma amiga evangélica, logo vi que seu maior desejo era levar minha irmã à Igreja para uma sessão de exorcismo. Caí fora rapidinho, afinal de contas, se minha irmã está com eles até hoje, por que vou me meter a besta e cair nessa de sai capeta?
“Mas como é mesmo esse lance de ver alguém?”.
“Ué, de repente eu vejo alguma coisa”.
“E aí? Já tentou contatos?”.
“Eu converso com eles”.
“E aí?”.
“Eles não falam nada”.
“Nada?”.
“Nada”.
“Sei... Você está vendo alguma coisa agora?”.
“Não”.
“Se você visse, você iria me dizer?”.
“Não”
“Gosto da sua sinceridade. E quando rola de você ver?”.
“Quando estou sozinha”.
“E você não se borra de medo?”.
“Já me acostumei”.
“Você pode me dizer se vou me casar com o Bono?”.
“Não”.
“Você pode me dizer se vou mesmo pra Guadalajara?”.
“Não!”.
“Tem alguém aí?”.
“Não”.
“Quem você já viu da nossa família?”.
Black out geral. A cidade ficou sem luz. Alguém a chamava. São eles, mãe, são eles! O ensaio parou e todos desceram. Menos ela, que subiu pro seu quarto pra continuar uma outra conversinha. Talvez uma explicação de alguma coisa com eles...
A primeira vez foi um susto. Susto ao perceber que aquilo era um espírito e não uma pessoa. Pior ainda, quando viu que não sentira medo.
O tempo foi passando e ela se acostumando. Tentou de tudo, candomblé, umbanda, ileaxé, atotôbaluaiê. Nada resolveu. Aliás, nada fazia com que ela desenvolvesse, vamos dizer assim, esse dom mãe-alguma-coisa.
O tempo foi passando, vieram os filhos e com eles, uma curiosidade sem fim. O segundo, ou melhor, a segunda, cresceu seguindo os passos da tia que curtia Marilyn Manson, Sister’s of Mercy e Bauhaus. Loira, gótica, filha de uma mãe quase vidente, morria de medo dos amigos da mãe. O garoto mais velho, tão interessante quanto, resolveu dar o nome de Amigos do Além à sua banda de Heavy Metal. O que tudo isso tem a ver com heavy metal, não me perguntem.
Vira e mexe a mãe fala sozinha. São eles. Quando a filha vai ao banheiro de madrugada e ouve a mãe conversando, são eles.
No ensaio do mais velho, quando dá pau no amplificador da guitarra, são eles. Socorro...
Comentando com uma amiga evangélica, logo vi que seu maior desejo era levar minha irmã à Igreja para uma sessão de exorcismo. Caí fora rapidinho, afinal de contas, se minha irmã está com eles até hoje, por que vou me meter a besta e cair nessa de sai capeta?
“Mas como é mesmo esse lance de ver alguém?”.
“Ué, de repente eu vejo alguma coisa”.
“E aí? Já tentou contatos?”.
“Eu converso com eles”.
“E aí?”.
“Eles não falam nada”.
“Nada?”.
“Nada”.
“Sei... Você está vendo alguma coisa agora?”.
“Não”.
“Se você visse, você iria me dizer?”.
“Não”
“Gosto da sua sinceridade. E quando rola de você ver?”.
“Quando estou sozinha”.
“E você não se borra de medo?”.
“Já me acostumei”.
“Você pode me dizer se vou me casar com o Bono?”.
“Não”.
“Você pode me dizer se vou mesmo pra Guadalajara?”.
“Não!”.
“Tem alguém aí?”.
“Não”.
“Quem você já viu da nossa família?”.
Black out geral. A cidade ficou sem luz. Alguém a chamava. São eles, mãe, são eles! O ensaio parou e todos desceram. Menos ela, que subiu pro seu quarto pra continuar uma outra conversinha. Talvez uma explicação de alguma coisa com eles...
A Saga de Paulo Otávio
Paulo Otávio era um cara bacana. Camarada, diga-se de passagem. Alto, moreno, olhos claros, um tipão. Tinha gente que dizia que ele era loiro, um loiro dourado, mais para o castanho claro, meio cafajeste, um olhar canalha. Outros diziam que ele se parecia com o Steven Seagal, Bruce Lee, uma coisa mais japa. Japa ou uruguaia, ou melhor, uruguaio. Aliás, de uruguaio ele não tinha nada, podia até arrastar um pouco pro castelhano, mas diziam mesmo que era descendente de paraguaio. Mas será que era verdade?
De qualquer forma, nunca ninguém soube ao certo de onde ele veio. Nem de onde veio, nem para onde vai. Nem com quem anda, com que dormiu ontem, nem por onde esteve no último lançamento do livro de Paulo Coelho. Aliás, Paulo Coelho era seu autor favorito. Autor e guru, com quem passava horas a fio conversando pelo telefone quando se sentia deprê após assistir ao Extreme Make Over todos os domingos. Parece que ele tinha uma vontade louca de mudar algo nele, não sei se era o nariz ou os olhos, talvez um pouco de barriga, ou quem sabe a casa dele e até o jeito de se vestir. Na verdade acho que ele começou a se influenciar muito pelos seriados da Sony e Warner, pois não falava nada mais além de troca de esposas, cobras venenosas e casais de lésbicas. O que não seria nada mal para ele, que tinha dupla personalidade.
Mas no fundo, no fundo, Paulo Otávio era uma boníssima persona. Queria mesmo era encontrar a mulher ideal, aquela que gostasse de homens e mulheres, aquela que quisesse se casar e ter quatro filhos com ele, que fosse meio-terra-meio-ar, meio budista meio guerrilheira, metade homem, metade mulher. Sim, o lado gay de Paulo Otávio era lésbico, por isso essa tendência quase homossexual lhe incomodava tanto. Tanto ele quanto seu psicanalista.
De qualquer forma, Paulo Otávio sempre estava por perto quando não era chamado, mas nunca aparecia quando chamavam por ele, nem mesmo quando ganhou uma viagem para Guadalajara após ter adquirido um produto da AMWAY.
- Ei? Você aí? Você viu o Paulo Otávio?
- Não. Onde?
- Espera um pouco...
Pronto, lá foi ele de novo. O cara, o Paulo Otávio passou e ninguém viu. Nem eu, nem o Coelho, o senhor Paulo. Aliás, me dá um autógrafo?
De qualquer forma, nunca ninguém soube ao certo de onde ele veio. Nem de onde veio, nem para onde vai. Nem com quem anda, com que dormiu ontem, nem por onde esteve no último lançamento do livro de Paulo Coelho. Aliás, Paulo Coelho era seu autor favorito. Autor e guru, com quem passava horas a fio conversando pelo telefone quando se sentia deprê após assistir ao Extreme Make Over todos os domingos. Parece que ele tinha uma vontade louca de mudar algo nele, não sei se era o nariz ou os olhos, talvez um pouco de barriga, ou quem sabe a casa dele e até o jeito de se vestir. Na verdade acho que ele começou a se influenciar muito pelos seriados da Sony e Warner, pois não falava nada mais além de troca de esposas, cobras venenosas e casais de lésbicas. O que não seria nada mal para ele, que tinha dupla personalidade.
Mas no fundo, no fundo, Paulo Otávio era uma boníssima persona. Queria mesmo era encontrar a mulher ideal, aquela que gostasse de homens e mulheres, aquela que quisesse se casar e ter quatro filhos com ele, que fosse meio-terra-meio-ar, meio budista meio guerrilheira, metade homem, metade mulher. Sim, o lado gay de Paulo Otávio era lésbico, por isso essa tendência quase homossexual lhe incomodava tanto. Tanto ele quanto seu psicanalista.
De qualquer forma, Paulo Otávio sempre estava por perto quando não era chamado, mas nunca aparecia quando chamavam por ele, nem mesmo quando ganhou uma viagem para Guadalajara após ter adquirido um produto da AMWAY.
- Ei? Você aí? Você viu o Paulo Otávio?
- Não. Onde?
- Espera um pouco...
Pronto, lá foi ele de novo. O cara, o Paulo Otávio passou e ninguém viu. Nem eu, nem o Coelho, o senhor Paulo. Aliás, me dá um autógrafo?
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