quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Estranhas sensações...

Já faz uns dias que eu tenho sentido coisas diferentes, sensações estranhas que nuca tinha sentido antes, muito louco. Aos trinta e poucos anos venho percebendo que não tenho muita paciência para muitas coisas como, por exemplo, sair de uma festa para ir em outra. Lembro-me de quando tinha vinte e um anos. Além de não estar nem aí para os homens que ficava, trabalhava de manhã, saída do trabalho às 18h e ia direto pra faculdade. De lá, às vezes passava em casa, às vezes não, e lá ia eu para mais uma noite de baladas numa boate que eu amava: o Columbia. Tempos bons aqueles, quando dormia de três a quatro horas por noite e estava sempre linda e inteira no dia seguinte de trabalho. E sem tomar nenhuma droga. Hoje, quando dou uma esticadinha amanheço arrasada, mesmo tomando apenas uma taça de vinho.

A idade vem chegando e com ela a lei da gravidade que diminui, cada vez mais, a distância entre o bico do meu peito e meu umbigo. Bem que minha amiga disse que, aos quarenta, nada volta ao seu lugar, a não ser que você tenha cacife pra bancar umas plásticas. E mesmo assim, as coisas ainda tendem a cair. Vai ver por isso que da última vez que fui pra Grécia não tive coragem de fazer topless. Mas tudo bem, ainda não tenho quarenta, portanto, ainda dá temo de correr atrás dos cremes nacionais e importados para que me ajudem a segurar alguma coisa.

Mas a vida passa rápido – e como passa. Hoje, uma amiga me lembrou que sua filha já está com três anos. Imagina, três anos e nunca fui visitá-la. Essa cidade é cruel com a gente, nossa correria do dia a dia é muito cruel com todo mundo. Imagine que vou sair da zona Norte para visitar minha amiga na zona sul, pegar trânsito, correr o risco de ser assaltada na Giovanni Groncchi ou sei lá eu onde mais! Não, por favor, quero ficar em casa. Quanto mais velha a pessoa vai ficando, a “individua” fica com mais medo também.

Antes viajava todas as sextas de madrugada para ir pra praia. Hoje, pegar a Bandeirantes depois das seis da noite, nem pensar. Preciso estar acompanhada e olhe lá, tenho tanto medo dos outros motoristas... E de assalto. Quanto mais velho, mais o tempo passa e, consequentemente, mais insegurança temos nas ruas, pois existe mais gente passando fome e morando nas favelas que crescem cada vez mais nos arredores da cidade. Quanto mais o tempo passa, mais mata é destruída indiscriminadamente, mais dinheiro rola nos bolsos dos parlamentares, maior é a corrupção e maior a minha decepção com o que acontece na política do meu país.

Digo isso porque só agora sinto mesmo no bolso o quanto vai de dinheiro para imposto de renda e cpmf’s, ou melhor, só agora sinto mesmo o meu dinheiro indo parar na boca do ladrão (ou na cueca de um filho da puta?), ou até mesmo numa ponte que nem partiu, lembram daquela "tentativa" de ponte que não tem nem como subir e nem como descer dela? Tão chamando o povo de burro na cara dura. Pronto, toquei no assunto. Acho que tô ficando velha mesmo, porque política nunca foi meu assunto predileto e, se continuar, vamos acabar quebrando o maior pau. Adios muchachos, mas prefiro assistir Animal Planet e aprender mais um pouco como vivem os suricatos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Enquanto isso...

Sexta-feira, sei lá que horas são exatamente, só me interessa minha taça de vinho tinto e a lingüiça de frango com batatas que meu marido colocou no forno alguns minutos atrás. E claro, esse jogo de rugby que está rolando na TV.
Primeiro, não sei na verdade quem está jogando, só sei que são dois times sul-australianos, o time de preto e o time azul e amarelo... E tem cada jogador... Aliás, já sei por que eu nunca assisti a um jogo de futebol no Brasil, os caras são muito feios, não dá vontade nenhuma de assistir a não ser, claro, quando rola Copa do Mundo, porque daí aparecem os ingleses, os italianos... Tudo de bom.

Ah, acabei de ver: St. Kilda X West Coast Eagles Bench, que é o time que está perdendo. Tá 21 a 6 pro adversário. Porra, propaganda de novo! Saquei... Quando rola um gol, até o povo voltar pro centro do campo, rola uma propaganda do patrocinador. Voltando ao jogo, ai, ai... O cara chutou e bateu a trave.
Mas que jogo é esse! Violento demais, não posso deixar meu filho jogar isso não. Os caras são sarados e usam óleos pelo corpo todo, isso só pros outros caras não conseguirem pega-los de jeito, porque é porrada atrás de porrada. Diria que é quase um jogo gay,talvez. Como jiu-jitsu,quer luta mais gay que essa? Dois homens ou duas mulheres se atracando pra imobilizar a outra no chão? Mas aqui é uma delicia, cinco homens correndo atrás de uma bola e se matando pra pegar essa bola – ou as bolas do adversário?
E o loirão chuta a bola pra ninguém, a galera vibra e não entendo o porquê. É muito homem em campo, não consegui contar ainda quantos jogadores rolam. Meu Deus, aqui pode tudo... Acabo de ver um reprise... Ai, ai, outra propaganda, ou seja, outro gol... Enfim, um reprise de uma falta feia, o adversário acaba de dar um empurrão no outro, pra quê? Pra pegar a bola. Ó lá, ó lá, ó lá! Um pega e um, dois, três quatro... E agora? O loirão número 12 é o mais bonito. 35 a 7 - os de preto continuam ganhando. Putz, quatro esperando a bola, que cai na mão de um, escorrega, quica na mão de um, na mão de outro, até que o outro cara sai correndo.
Na boa, não estou entendendo niente! Quer saber? Acabou o primeiro tempo. Vou comer a lingüiça do meu marido. Ops...